Ariane Luise Bolognini
Psicóloga
A entrevistada desta semana é a psicóloga no Poder Judiciário – Fórum de Brusque – e ex- presidente do Conselho Municipal sobre Drogas, Ariane Luise Bolognini, nascida em Brusque - mas sempre morou em Guabiruba - aos 24 de outubro de 1979. Filha de Nelson José Bolognini e Licir Wippel Bolognini, dois irmãos: Rodrigo André e Ana. É noiva de André G. Maurici.
Foto
Nossa entrevista
com a família
Quais são as lembranças que você tem
da sua infância?
São muitas... as festas em família na casa de meus avós,
de quem eu sinto muitas saudades... as brincadeiras criativas com meus irmãos e
primos nas datas festivas, e o dia a dia, também de muita brincadeira com os
amigos, vizinhos e irmãos...tínhamos um “clubinho”, podíamos circular com
tranquilidade na vizinhança, brincar na rua e isso tudo era muito bom.
Você
tem amigos da infância ainda?
Muitos...tenho um grupo de amigas que
se encontra semanalmente e muitas delas conheço desde a infância. Tenho três grandes
amigas da época do colégio, pessoas muito especiais para mim, que estão morando
em outros países, mas a amizade verdadeira nos mantêm sempre próximas... e
quando elas retornam e nos encontramos,
é como se o tempo não tivesse passado. Considero que tenho muitos e verdadeiros
amigos, de longa data...a amizade para mim é fundamental para a felicidade!
O que sente falta da
infância?
Acho que de tudo... dos avós que partiram...das brincadeiras...do tempo
passar mais devagar!
Quando você era
criança queria ser adulto?
Não me lembro de querer ser adulta, talvez me imaginava
adulta...mas acho que gostei muito de cada fase, da infância...da
adolescência...
Sonho
de criança? Em que você sonhava ser quando era pequena?
Lembro que, certamente, inspirada na minha
mãe, pensei em ser professora...mas nunca tive um sonho relacionado à profissão
muito definida, acho que a possibilidade de trabalhar com crianças me conduziu
a escolha pela Psicologia.
Histórico
escolar?
Cursou o Ensino Fundamental e Médio no Colégio São Luiz e
formou-se em Psicologia pela FURB – Blumenau. Realizou Pós-graduação em Gestão
Estratégica em Recursos Humanos e em Psicologia e Saúde Mental Coletiva, pela
ASSEVIM, e está cursando Pós Graduação em Gestão Interdisciplinar de Conflitos
no Judiciário Contemporâneo, pela Academia Judicial do Poder Judiciário de
Santa Catarina
Pessoas
que influenciaram?
Meus pais, por toda a dedicação e pelos
valores que transmitiram a mim e meus irmãos (Rodrigo e Ana Carolina). O
incentivo ao estudo e ao trabalho, bem como a escolha pela Psicologia acredito
que teve influência da minha mãe, pelo exemplo de dedicação e comprometimento
que ela sempre teve em relação ao seu trabalho com a Educação. Sinto-me feliz e
realizada com pequenas coisas do meu dia a dia, tanto na minha profissão quanto
na vida pessoal, e alegria e espontaneidade que conduzem minhas escolhas são
valores transmitidos pelo meu pai, pela maneira que ele “vê a vida”, com
simplicidade e generosidade.
Quais as atribuições
de seu cargo?
Como Psicóloga no Poder Judiciário, atuando no Fórum de
Brusque, as atribuições do meu cargo
são: a realização de avaliação psicológica, a preparação dos pretendentes à
adoção, a instrução na mediação familiar, entre outras funções relacionadas à
Psicologia.
Você
presidiu o COMAD até início de dezembro, como funciona o Conselho Municipal sobre drogas -COMAD?
O Conselho Municipal sobre Drogas – COMAD,
assim como os demais Conselhos, é um espaço de participação comunitária e
controle social que objetiva garantir o envolvimento de representantes da
comunidade, de instituições e órgãos governamentais e não governamentais no debate,
proposição, fiscalização e gestão das políticas públicas de atenção às drogas.
O COMAD de Brusque reúne-se na primeira terça-feira de cada mês, nas
dependências da Prefeitura Municipal de Brusque.
Qual o comando legal
que rege o Comad?
O COMAD de Brusque foi criado em 1999, pela Lei nº 2340/99 e é regido
pela Lei 2.941/2006.
Um breve histórico das Dirtorias do COMAD?
Diretorias
do Conselho Municipal Antidrogas: Em 2002: Presidente: Paulo
Vendelino Kons e Vice-presidente:
Valberto Dell’Antônia (Comandante da 1ª. Companhia do 10º Batalhão). Em 2003:
Presidente: Paulo Vendelino Kons e Vice-presidente: Valberto
Dell’Antônia. Em 2004: Presidente: Paulo Vendelino Kons e Vice-presidente: Maria
Valzete Ludvig Walendowsky (ACIBr) e Secretária: Maria da Glória Almeida (Igreja
Católica). Em 2005: Presidente: Paulo Vendelino Kons, Vice-presidente: Cláudio
Roberto Koglin (Comandante da 1ª. Companhia do 10º Batalhão) e Secretária: Osmarilda
dos Santos Valle (SENAI) e após 2006 presidiram
o COMAD: Maria da Glória Almeida (Igreja Católica); Maria Valzete Ludvig
Walendowsky (ACIBr); Luiz Elias Valle (Unifebe - NPJ); Psicóloga Ariane
Luise Bolognini (Fórum da Justiça estadual da Comarca de Brusque)
Obs:
Quanto ao histórico das diretorias tivemos contribuição do historiador Paulo
Vendelino Kons
Quais os atuais conselheiros?
Ariane Luise Bolognini, Tatiana
Qual a sua maior
aspiração?
Nesse momento, meu maior desejo é sempre ter oportunidade, disposição e
saúde (fundamental) para seguir em frente com os estudos, o trabalho e as
realizações da vida pessoal.
O que a
incomoda ?
A injustiça, o sofrimento humano causado pelo
que entendemos como “injustiça” me
incomoda muito.
Qual foi o maior desafio até agora?
Acho que os
desafios, até hoje, foram os relacionados aos estudos, a dedicação para passar
no vestibular e nos concursos
públicos...Mas o dia a dia sempre traz desafios, temos que nos comprometer e
conhecer mais sobre o que fazemos.
Você se arrependeu
de alguma coisa que disse ou que fez?
Tenho a característica de expor meu
posicionamento, aquilo que penso... e corro atrás do que acredito ser correto,
por isso acredito que já devo ter dito ou feito coisas que não agradaram e
talvez, tenham magoado alguém. Mas sempre tentei consertar o que talvez tenha feito ou dito de maneira
inapropriada...
Algo cômico que
aconteceu na sua vida?
Já aconteceu muita coisa engraçada na minha vida, não daria para relatar
uma só história...têm coisas muito cômicas da época de escola, com os amigos...depois
situações na faculdade, como perder a sandália e arrebentar alça da bolsa na
“luta” para conseguir garantir um lugar para voltar mais cedo da FURB (quem
estudou lá há uns 10 anos, vai lembrar do “empurra-empurra”, antes de pensarmos
em organizar uma fila para o ônibus)...até no trabalho, sempre me recordo de
uma intervenção junto com a assistente social em que atolamos o carro...enfim,
têm muitas lembranças que me fazem rir!!!
Algo que você apostou
e não deu certo?
Acredito que todos os meus esforços trouxeram
resultados que eu esperava , não me recordo de ter apostado em algo que posso
considerar que não deu certo. Principalmente no trabalho, existiram projetos ou
idéias que não foram levadas a diante, mas não considero como “não dar certo”,
mas sim como momentos de aprendizagem.
O que farias se
estivesse no inicio da carreira e não teve coragem de fazer?
Eu considero que ainda estou no início da
minha carreira... tenho muito para aprender e certamente com os anos de
experiência e maior conhecimento vou olhar para trás e achar que deveria ter
feito muita coisa diferente, não por falta de coragem, talvez por falta de
maturidade profissional...mas isso faz parte da construção de uma carreira.
O que
você aplica dos grandes educadores, das aprendizagens que teve, no seu dia a
dia?
Pensando, primeiramente, nos meus pais e
depois grandes professores que tive desde o colégio até nos curso de
pós-graduação, acredito que, além dos conhecimentos técnicos, o que mais busco
aplicar no dia a dia é a ética e o comprometimento com o que faço.
Quais
as maiores decepções e alegrias que teve?
Se tive decepções não foram tão grandes a
ponto de serem significativas...as alegrias com certeza ocupam a maior parte da
minha vida...me considero realizada no trabalho, no namoro, com minha família,
meus amigos. Uma das últimas alegrias é ter sido tia de um sobrinho lindo...ter
visto amigas se tornarem mães maravilhosas...enfim, são muitas.
O que você mudaria se
pudesse na profissão que exerce?
Penso que a gente sempre pode e deve pensar em mudar quando se trata de
melhorar, então, na minha atuação profissional, hoje, penso em ampliar as
práticas educativas. Acredito que, assim, a Psicologia poderá alcançar um maior
número de pessoas.
O que está
lendo no momento?
No momento, as leituras estão voltadas para o trabalho e
para as atividades relacionadas ao curso de formação que estou participando.
Fale de sua
pós
Estou realizando uma Pós-graduação em Gestão
Interdisciplinar de Conflitos no Judiciário Contemporâneo, promovida pelo Poder
Judiciário aos técnicos da Psicologia e Serviço Social, e tem sido uma
oportunidade muito rica para ampliar meus conhecimentos sobre a atuação da
psicologia na interface com a justiça.
Como
foi sua trajetória profissional?
Iniciei minha trajetória profissional como
agente administrativo, na Prefeitura Municipal de Guabiruba, e meu primeiro
trabalho foi na Biblioteca Municipal, que funcionava nas dependências da Escola
João Boos. Na ocasião já estava na universidade e a possibilidade de trabalhar
em uma escola, com jovens e crianças, reforçou minha escolha pela Psicologia.
Como agente administrativa, também atuei na Prefeitura Municipal com diversas
funções. Em 2007, iniciei os trabalhos como Psicóloga da Secretaria de Saúde de
Guabiruba, onde vivenciei momentos de
muito aprendizado e realizações profissionais, além de ter construído muitas
amizades. Há cerca de cinco anos, integro o quadro de Psicólogos do Poder
Judiciário Catarinense, que também tem sido uma experiência de aprendizado e
dedicação.
Antônio Carlos Cruz Corvo
ANTÔNIO CARLOS CRUZ CORVO: O entrevistado da semana é o Psicólogo Antônio Carlos Cruz Corvo, nascido no Rio de Janeiro aos 21 de maio de 1058, filho de Liezio de Oliveira Corvo e Iodercia Cruz Corvo, casado com Mara Regina Bina Corco, com a qual teve duas filhas: Maira e Mariana. É torcedor do Brusque e do Flamengo.Quais as primeiras memórias de criança?
Os bons momentos vividos no Rio de Janeiro sem bandidos, sem traficantes e sem balas perdidas. Onde podíamos jogar futebol na rua, empinar papagaio. Jogar bola de gude e tomar banho de rio.
Sonho de criança?
O meu sonho sempre foi entender as pessoas, compreender as suas atitudes e principalmente o amor entre as pessoas. Esse sonho se tornou realidade em 1975, quando passei no vestibular de psicologia na Universidade Gama Filho, no Rio de Janeiro.
Pessoas que influenciaram?
O meu pai, meus avós paternos e maternos e uma professora da 4ª série primária, professora Vilma e depois o professor universitário Robson de Souza.
Como surgiu Brusque em sua trajetória?
A princípio fui convidado na época da faculdade para ir tabalhar em Fraiburgo, e vim até Brusque por que uma tia que trabalhava na Junta do Trabalho morava aqui. Vim para conversar com a empresa Usati de São João Batista, para trabalhar em Fraiburgo como Psicólogo e como não deu certo resolvi fixar residência aqui em Brusque, onde iniciei minha carreira como psicólogo, na oportunidade com 22 anos. Iniciei a ministrar aulas na antiga Fepevi, hoje Univali, em Itajai e como Psicólogo do Colégio de Aplicação da Fepevi
Educandários que frequentou?
Escola Pública Municipal Joaquim Nabuco, onde conclui o meu curso primário, em Botafogo, em 1968. Em 1969 comecei o antigo ginásio no Horto Florestal - Colégio Municipal Camilo Castelo Branco. Em 1970 fiz o meu antigo científico no Colégio Estadual Andrei Mourois, no Leblon, . todos na cidade maravilhosa do Rio de Janeiro. A faculdade de Psicologia cursei na Universidade Gama Filho no Rio de Janeiro.
Você acha que as pessoas, em geral, sabem o que é a psicologia?
A grande maioria das pessoas não sabem realmente qual é a função do psicólogo e nem da psicologia. As pessoas só pensam, que se procura o psicólogo quando se é louco. Este é um conceito muito errôneo, pois o psicólogo é o profissional que procura fazer as pessoas se entender e se ajudar. Veja bem ajudar e não decidir os seus problemas.
Quais temas você está trabalhando em sua clínica?
Não trabalho temas, trabalho com situações psicológicas que os indivíduos têm em sua vida, indecisões que têm em sua vida sobre trabalhos e outros temas, ansiedade, depressão, síndrome de pânico, distúrbio de ansiedade, hiperatividade e outros. Além de proferir palestras para pais e mestres nas escolas públicas estaduais em nosso município, em Mafra, Rio Negrinho, São Bento do Sul, onde a Gerência Regional de Mafra solicita e também palestra em Campo Alegre sobre a realidade da escola e pais em relação ao adolescente.
Quais as suas outras áreas de atuação profissional, além da clínica?
Sou psicólogo na SDR cedido à Delegacia da Proteção da Mulher, criança, do adolescente e o idoso, além de proferir palestras nas escolas e para pais em todo estado de Santa Catarina.
Qual é a sua filosofia de trabalho?
Sou seguidor -acho que um dos poucos – da terapia centra no paciente. É uma terapia não diretiva. Essa Terapia mostra os caminhos e o próprio paciente decide qual o melhor caminho, explicamos para ele os prós e os contras dos caminhos que quer seguir. O autor que é meu companheiro de cabeceira é Carl Rogers.
Quais as dificuldades mais comuns para o estabelecimento de um consultório de psicologia?
Bem para quem entra nesse campo e que as pessoas sempre olham com um pouco de desconfiança, pensando que só conversando, ela vai melhorar. Percebem, entretanto, que aos poucos podem confiar no profissional.
Como vê a atuação do Conselho Regional de Psicologia e/ou Conselho Federal de Psicologia ?
Tanto o Conselho Regional como o Federal buscam a valorização da profissão de Psicólogo. Portanto só posso ver como uma coisa positiva e necessária para que o psicólogo tenha o seu respaldo quando profissional, pois ambos brigam por espaço que são nossos direitos profissionais.
E com relação à carreira do psicólogo, hoje em dia há mais possibilidades além da clínica?
Sim, tem sim, nas escolas, as avaliações psicológicas nas autos escolas, nas indústrias, nas consultorias para empregos.
Se não fosse psicólogo?
Bem se não fosse psicólogo, não saberia o que fazer, porque amo muito o que faço. Continuaria sendo professor do magistério público estadual que amo muito. Também sou funcionário público estadual há 26 anos.
Com tanta libertinagem, o casamento pode sobreviver?
Bem essa pergunta perpassa por uma questão de fidelidade, valores que hoje em dia em nossa sociedade, está muito difícil de acontecer. A promiscuidade está em todos os lugares na TV Aberta, na de assinatura e ela entra por todos os lugares. E com a minha vivência na DPCAMI de Brusque, vejo que está cada vez mais difícil por que as pessoas pensam em sexo e não em sentimentos entre as pessoas.
Como você escolhe o tema para escrever seus artigos?
Os temas para minhas crônicas, minhas poesias são tiradas do dia a dia, no real dos sentimentos das pessoas. Penso que todo psicólogo tem um pouco de poeta. Por isso tento de uma maneira bem clara, singela expor sentimentos que vejo pelo mundo e nas pessoas com as quais convivo.
Qual dos artigos que escreveu que causou maior impacto?
O que recebi muitos comentários foi o que escrevi sobre a saúde mental e o ser humano. Porque pude observar que muitas pessoas me paravam na rua e faziam muitos questionamentos sobre o assunto.
Lembra de um artigo que escreveu e que mais gostou depois de relê-lo com o passar dos tempos?
Os meus cinquenta anos, esse artigo foi o retrospecto de minha vida com o pai, profissional, homem e também fez lembrar as coisas boas que tive nessa cidade tão maravilhosa que resolvi adotar como a minha segunda cidade de coração a minha Brusque maravilhosa
Teve algum artigo que preferia não ter escrito?
Graças a Deus do que escrevo nunca me arrependo ou não gosto, porque saem todos do fundo do meu coração. São sentimentos que coloco que faço, que amo. O que quero é mais escrever porque posso colocar para fora o amor e falar do amor entre os seres humanos.
Costuma ler EM FOCO? Está trilhando no caminho certo?
Sim, leio sim, e gosto de ler e saber das novidades de nossa Brusque..
Um resumo de sua trajetória profissional e pessoal?
Sou Psicólogo clínico formado pela Universidade Gama Filho do Rio de Janeiro há 30 anos com experiência em saúde mental. Tenho especialização em Psicoterapia de criança, adolescente e adulto e especialização em Psicologia Social. Fui Professor da Universidade Regional de Blumenau de 1993 a 2004, ministrando aulas para vários cursos, inclusive para o de Psicologia. Fui Coordenador do Fórum Catarinense de Saúde Mental nos anos de 2003 a 2007, além disso fizemos como Diretor de Saúde Mental dois Fóruns Catarinense de Saúde Mental nos anos de 2003 e 2007, quando aconteceu a Conferência Estadual de Saúde Mental., que definiu as ações que seriam sugeridas à Coordenação Estadual de Saúde Mental. Professor da rede pública estadual há 26 anos. Profiro palestras nas redes pública municipal e estadual sobre temas ligados à Saúde Mental, Hiperatividade, problemas de aprendizagem e supervisão ao CAPS de nosso estado. Fui Diretor de Saúde Mental de 2001 a 2008 na gestão Ciro/Dagomar.
Referências
- Jornal Em Foco. Edição de 11 de outubro de 2011
Luiz Francisco Reis
O entrevistado da semana é o Psicólogo Luiz Francisco Reis, nascido em Brusque em 1961, casado com Miriam com a qual tem duas filhas: Anny e Yasmin. Foi Chefe de Gabinete na gestão Danilo/VenzonComo foi sua infância?
Minha infância foi muito especial, morávamos em uma região agrícola e a família vivia do trabalho do campo, ou seja, um grande sítio. A parte boa é que tínhamos espaço para brincar, correr, jogar futebol, pescar e fazer muitas brincadeiras ao ar livre. Com certeza guardo boas recordações.
Sonho de criança?
Quando criança, meu sonho era poder estudar, já na época gostava muito de leituras diversa.
Como foi sua juventude?
Em minha juventude, não tínhamos muitas escolhas como os jovens de hoje, aos 14 anos já tínhamos que começar a trabalhar, para poder estudar. Era bastante puxado faze as duas coisas, devido as dificuldades de locomoção, entre outras.
Pessoas que influenciaram?
Com certeza a pessoa que mais influenciou foi meu avô que se chamava José Pedro. O avô José Pedro me ensinou a ter as primeiras responsabilidades, a saber diferenciar o certo do errado e como era uma pessoa muito culta incentivou o gosto pelo estudo. Sabia transmitir o amor que tinha pelos netos através de um simples olhar. Uma outra pessoa que me influenciou muito foi meu tio Lauro, que alem de ser um grande homem foi um grande amigo.
Formação escolar?
Minha primeira formação foi em contabilidade, e depois, a psicologia, com pós-graduação na área.
Primeira professora?
Minha primeira professora foi dona Jandira Rezini.
Uma grande professora?
Com certeza acho que não poderia ser outra senão dona Jandira, porque além de ser a primeira a nos transmitir o conhecimento, exercia o magistério com muito amor, ressaltando-se as dificuldades da época.
Fale um pouco de sua trajetória profissional e da sua história de vida?
Minha vida profissional começou muito cedo, aos quatorze anos, passando por mais de uma empresa na cidade, conforme a melhor proposta recebida. Depois, submeti-me ao certame público, em cujo cargo desempenho minhas funções até hoje, além de exercer a profissão de psicólogo em meu consultório.
Algo que você apostou e não deu certo?
Comecei uma micro empresa de representação e devido a crise que abalou o país na época não deu para continuar como empresário.
O que faria se estivesse no início da carreira e não teve coragem de fazer?
Um curso de especialização no exterior.
O que você aplica dos grandes educadores, das aprendizagens que teve,no dia a dia?
Com certeza tudo que se conseguiu aprender, porque todos transmitiram algo que em algum momento tem valia.
Quais as maiores decepções e alegrais que teve?
A maior decepção é constatar que depois de tantos anos o nosso país ainda não tem um ensino público integral de qualidade. A maior alegria com certeza, o nascimento de minhas filhas.
Quais as dificuldades mais comuns para o estabelecimento de um consultório de psicologia?
As dificuldades mais comum que encontrei foi achar um local adequado e o custo inicial para montar um ambiente adequado.
O que objetiva a Psicologia Clínica? Na sua opinião, como é possível medir o resultado dos instrumentos clínicos utilizados em um paciente? Como saber se estão resultando em algum benefício real?
A psicologia clínica tem como uma das funções, propiciar ao cliente um espaço único onde ele pode falar sobre suas angústias, seu sofrimento psíquico. Buscando com isso a cura para sua dor com ajuda do profissional de psicologia. O resultado pode ser medido através do material teórico que o psicólogo tem a sua disposição, como também pela fala do cliente que com certeza transmite a melhora.
Em que área da Psicologia você se especializo?
Minha especialização foi em clínica, forense e saúde pública.
Quais as maiores dificuldades profissionais que você encontra no seu dia a dia?
Acho que uma das maiores dificuldades encontradas é o fato de os planos de saúde não estarem investindo como deveria no atendimento psicológico. Pois isto faria a grande diferença para os pacientes e para os profissionais da área
O que considera gratificante na sua profissão?
Escutar do cliente que esta se sentindo muito bem, devido ao tratamento, ou seja que já pode caminhar sozinho.
Qual a diferença entre o Psicólogo com consultório para atendimento e o Psicólogo registrado em empresa para trabalhar em Recursos Humanos e com recrutamento e seleção?
O Psicólogo de consultório trata de problemas psíquicos inerentes do ser humano. Enquanto o que de Recursos Humanos trata de situações de recrutamento para funções específicas, formação e acompanhamento profissional etc.
Referências
- Jornal Em Foco. Entrevista publicada em 12 de abril de 2011.
Luciano Pedro Estevão
Nome completo: Luciano Pedro Estevão local e data de nascimento: Porto Belo em 04/ 09/ 1967filiação: Pedro João Estevão e Azucélia Maria Machado Estevão
cônjuge: Lenita Novaes
nome de filhos: Nenhum.
Cargo: Psicólogo. Coordenador do Centro de Referência em Assistência Social-CRAS
Como foi sua infância?
Ótima. Nasci em Canto Grande. Filho de uma portuguesa misturada com índia e de um português misturado com belga. Sou o 13º filho da D. Zuca e o 25º filho do seu Pedro. Uma comunidade de pescadores. Praia de todos os lados. Quase uma ilha. Andava, corria, mergulhava e nadava o tempo todo e nas horas vagas era aconchegado por uma super mãe e mais dez mulheres. E nas horas de aperto empurrado por 3 homens. Muito ar puro, brisa do mar, peixe e frutos do mar todo dia, frutas do pomar, quintal para brincar. Tudo de Bom. Um belo dia fugi de casa para não ser pescador profissional e poder fazer aquilo que mais gostava: estudar.
Sonho de criança?
Ser professor educador e ajudar a humanidade
Como foi sua juventude?
Minha juventude foi conflituosa pela mudança de cidade, morte do pai, timidez e alguns anos em colégio interno onde a ditadura do sistema e a solidão me ensinaram que não se pode perder tempo na vida pois ela é mutável, curta e indecifrável. Aprendi a ser quem eu sou e aproveitar cada instante me ajudando e ajudando os outros.
Pessoas que influenciaram?
Todas que se relacionaram de perto comigo. Tenho um pouco de cada um. Não dá pra citar pois faltaria espaço.
Formação escolar (onde estudou desde o início?
Ensino Fundamental 1ª a 4ª série: Escola Isolada de Canto Grande;
Ensino Fundamental 5ª a 8ª série: Escola Básica Tiradentes;
Ensino Médio: Curso técnico em Agropecuária no Colégio Agrícola de Camboriu;
Ensino Superior: Graduação em Letras (Língua Portuguesa, Língua Inglesa, Literatura Brasileira e Literatura Portuguesa). UNIVALI e Graduação em Psicologia pela UNIVALI;
Pós Graduação: Especialização em Psicologia da Educação-UNIVALI;
Especialização em Psicologia de Perícia e Avaliação de Trânsito- FEHH
Especialização em Psicodrama- CONTEXTO;
Mestrado em Psicologia- UFSC
Como surgiu Brusque em sua trajetória?
Vim em 2009 para o Projeto do natal com os grupos de Idosos da Secretaria de Assistência Social e em virtude deste trabalho fui convidado pela Secretaria de Assistência Social e Habitação para trabalhar como psicólogo e coordenador de Assistência Social. Assim iniciei em março.
Primeira professora?
Sim. D. Noêmia. Grande mestre, educadora e poetisa até hoje.
Uma grande professora?
Muitas: Noêmia, Vera, Laureci, Nair, Andréia, Almir, Kátia,...
Como conselheiro do Conselho Municipal Antidrogas -COMAD,vê o Conselho Municipal trilhando no caminho certo?
Penso que sim. Acabei de entrar, então ainda não conheço o suficiente para avaliar. Porém acredito nas pessoas e no comprometimento delas com a causa.
Quais são as atividades desenvolvidas no COMAD de Brusque?
O COMAD desenvolve eventos relacionados as drogas, debate o assunto nas plenárias, Fiscaliza as instituições governamentais e não governamentais que trabalham com esta demanda e está sempre a disposição para dialogar sobre o tema. O crack ignora classes sociais, já não seria apenas consumido só nas localidades da periferia? Com certeza. Apesar de ainda o maior número de consumidores ser de uma classe menos favorecida, atualmente o crak alcança todo aquele que por um segundo resolve experimentá-lo
O crack pode mesmo viciar no primeiro uso?
Sim. Mas Não é que seja no primeiro uso. O que acontece é que raríssimos usuários conseguem consumir apenas uma pedra no primeiro uso. Geralmente consomem de 3 a 6 pedras e é isso que proporciona um nível de dependência maior e mais rápido. A fumaça produzida pelo crak chega ao sistema nervoso central em aproximadamente 10 segundos e seu efeito de euforia e alucinação dura em média de 3 a 10 minutos e depois disso o efeito depressivo toma conta, o que leva o usuário a fumar mais e mais. Um Outro fator é que o Crak é feito a partir da forma impura da cocaína, ou seja, os restos mortíferos da mesma que é misturada ao bicabornato de sódio o que transforma a pedra num estalo mortal. Aliás o nome crak é derivado da palavra quebrar e tem este nome devido aos estalos que a Pedra vai dando durante o seu uso. É uma droga potente e maléfica ao cérebro.
Que sequelas definitivas o crack deixa no usuário? conhece casos de quem se recuperou?
Há raríssimos casos de recuperação total da droga. Precisa de um tratamento longo e muita fora de vontade do usuário, da família e mudança total de comportamento. As seqüelas deixadas pelo Crak são:
- Euforia mais forte do que o da cocaína;
- Após o efeito da euforia ocorre muita depressão;
- O que leva o usuário a usar novamente para compensar o mal-estar, provocando intensa dependência;
- Ocorre também muitas alucinações e paranóias (ilusões de perseguição);
- Elevação da temperatura do corpo, podendo causar um Acidente Vascular Cerebral;
- Causa destruição de neurônios, o que leva o usuário a se alienar do mundo, se acomodar e perder o interesse pela sua vida e sociedade;
- Provoca a degeneração dos músculos do corpo, o que dá aquela aparência característica esquelética ao indivíduo: ossos da face salientes, braços e pernas finos e costelas aparentes;
- Inibição da fome, de maneira que os usuários só se alimentam quando não estão sob seu efeito narcótico;
- Ocorre um excesso de horas sem dormir;
- Seu uso freqüente e prolongado pode levar a morte.
A mobilização social é fundamental para combater o uso e o avanço da mesma.Acredito que só com uma mobilização geral é possível a contenção.
Há profissionais que têm receio atender usuários? Soube de algum profissional que já foi ameaçado por usuários?
O atendimento clínico inicial ao usuário deve ser em grupo exatamente para não ter este problema. Após um tratamento coletivo para que ele se comprometa com o grupo (que representa a sociedade), aceite-se enquanto dependente e compreenda que não está sozinho é que se pode continuar o tratamento individual. Outra questão é que o profissional não deve atender o usuário se este fez uso antes do atendimento, pois seu comportamento estará alterado e, portanto o tratamento não fará efeito.
O estado faz-se presente quando se trata de comunidades terapêuticas? E quando faz-se presente é representativo em quantidade e qualidade?
A representatividade do estado nas comunidades terapêuticas às vezes são em quantidade e sempre com péssima qualidade, pois sua contribuição é, na maioria das vezes financeira ou documental, o que na prática os donos das mesmas não utilizam de forma adequada. Em que situação se encontram e se são suficientes para atender a demanda- os serviços de atendimento a dependentes químicos na região? Na região de Brusque os serviços para dependentes químicos quase não existem. São poucas instituições nos municípios vizinhos e os que existem são precários, pois falta metodologia terapêutica especifica e falta de profissionais especializados na área. Brusque já dispõe de CAPS -AD? Quais são as principais dificuldades que serão encontradas no atendimento aos jovens no CAPS AD? Brusque ainda não possui o CAPS AD, apesar de existir demanda para o mesmo. As dificuldades encontradas serão no que diz respeito a profissionais especializados na área.
Um resumo de sua vida profissional?
Comecei minha carreira profissional aos 15 anos como educador social trabalhando com crianças em vulnerabilidade social na cidade de Porto Belo; Em seguida comecei a lecionar Artes, Língua Portuguesa e Literatura Brasileira em vários colégios de Itajaí, Balneário Camboriu e região; Neste mesmo período comecei minha carreira como ator de teatro no grupo teatral acontecendo por ai e que atuo até hoje. Em seguida trabalhei como professor universitário na UDESC e UFSC. Em 1997 criamos o Instituto de Psicologia Sentir que é uma instituição que trabalha com saúde, educação e assistência social na qual trabalho até hoje. Portanto resumindo sou professor, educador, ator, cuidador, psicólogo e mediador de relações humanas.
Conte algo que você queria fazer e não deu certo.
Aprender a voar.
Algo cômico que aconteceu na sua vida?
Uma gaivota cair no meu prato num final de ano em Canto Grande
Algo que você apostou e não deu certo?
Dificilmente aposto.
O que farias se estarias no inicio da carreira e não teve coragem de fazer?
Montava uma escola
O que você aplica dos grandes educadores no teu dia a dia?
Tudo que aprendo aplico principalmente em relação ao respeito, humildade, honestidade e amor.
Quais são suas maiores decepções e alegrias?
A maior decepção é acreditar nas pessoas e levar violência com algumas, mas elas não me vencem. Continuo acreditando. Minhas maiores alegrias são muitas, não caberia aqui. Porém as maiores sem dúvida é acordar todos os dias e saber que estou vivo e saudável, a outra é ainda conviver com minha mãe de 85 anos e meus irmãos, a outra é sentir minha amada todos os dias, poder vê-la, admirá-la, cheirá-la, ouvi-la e tocá-la , e a outra é poder ajudar pessoas,...
O que você mudaria se pudesse na sua profissão?
As suas bases na formação acadêmica, pois são incoerentes com a realidade profissional.
Referências
- Jornal Em Foco. Publicado em 21 de setembro de 2010.
Caroline Butzke
A entrevistada da semana é a psicóloga Caroline Butzke, nascida em Rio do Sul aos 14/05/1986 - mas com menos de um ano foi morar em Joinville, onde permaneceu até março de 2012 - quando veio para Brusque, por ter sido chamada no concurso; filha de Adolar Butzke e Lucia Butzke; tem dois filhos: Luísa Butzke Campos (5 anos) e Leonardo Butzke Campos (1 ano) Quais são as lembranças que você tem da sua infância?Minha família é bastante unida, fazíamos viagens todos os anos nas férias então conheço bastante lugares e desenvolvi essa paixão por viajar. Quando criança era um pouco mais tímida, de poucos amigos, mas lembro de vários deles e das brincadeiras que gostava.
Você tem amigos da infância ainda?
Tenho algumas, porém devido a mudanças de cidade acabo tendo pouco contato com elas.
O que sente falta da infância?
Sinto falta dos momentos que eu passava mais próxima aos meus pais e familiares, do tempo que tinha livre para brincar e não se preocupar com as responsabilidades que tenho hoje.
Sonho de criança? Em que você sonhava ser quando era pequena?
Queria ser médica pediatra. Sonhava em casar, ter filhos, estudar, trabalhar.
Como foi sua juventude? O que você mais gostava de fazer para se divertir?
Divertida. Gostava de ir para praia e sair com os amigos. Durante a adolescência passei por alguns conflitos "normais" com meus pais, fiz muitas amizades, somente estudava e me dedicava para o vestibular.
Quais eventos mundiais tiveram o maior impacto em sua vida durante a sua infância e juventude?
Os eventos que mais marcaram foram a Copa de 94 e a Morte do Ayrton Senna.
Como surgiu Brusque em sua trajetória?
Passei no Concurso Público realizado pela Prefeitura Municipal de Brusque em 2009. Já conhecia a cidade e me entusiasmei com a possibilidade de vir morar para cá já no dia em que realizei a prova do concurso.
Pessoas que influenciaram ? Meus pais, Clarice Lispector, Angelina Jolie, Bob Marley, Carl Jung, Salvador Minuchin, entre outros psicólogos.
Como era a escola quando você era criança?
Comecei ir a escola com 3 anos, na mesma rua em que morava. Era uma escola pequena, fazíamos várias apresentações de dança e teatro, eu era uma criança quietinha e organizada. Aos 6 anos iniciei a 1ª serie e troquei de escola, onde estudei até a 8ª serie no Colégio dos Santos Anjos, escola de freiras, bastante religiosa e com valores familiares, onde fiz amizades que mantenho até hoje.
Quais eram suas melhores e piores matérias?
A matéria que eu mais gostava era matemática e a que menos gostava era geografia, no Ensino médio passei a detestar física, as demais eu gostava.
De que atividades escolares e esportes você participava?
Participava de grupo religioso, pois estudava em escola da Divina Providencia até a 8a série, fiz dança dos 7 aos 14 anos e gostava bastante de esportes também (basquete, vôlei e handebol).
Formação escolar ?
Educação Infantil foi na Escola Machado de Assis, o Ensino Fundamental no Colégio dos Santos Anjos e o Ensino Médio no Curso e Colégio Energia; todos em Joinville. A Faculdade de Psicologia fiz na Univali em Itajaí de 2004 à 2008. Além disso, realizei cursos na área de Pericia Psicológica nas Varas da Família, Ludoterapia, Psicopatologia da Infância e Adolescência. Procurando sempre estar atualizada, em busca de novas capacitações, participação em seminários, congressos e eventos relacionados a área.
Primeira professora?
Considero a primeira professora mesmo a da primeira série – Karen - ela não era muito afetiva, mas tinha facilidade em ensinar.
Grandes professores?
São muitos, lembro bem da minha professora do 2a série – Andréa - e depois alguns professores "especiais" como a professora de inglês – Heloísa - até a 8a série, o professor de biologia do ensino médio – Romero.
Como surgiu a Psicologia em sua trajetória?
Surgiu durante o preparo para o vestibular, quando tive oportunidade de conhecer melhor os cursos e profissões do mercado de trabalho. Sempre tive o desejo de trabalhar com pessoas, no cuidado das pessoas e podendo lhe oferecer "algo". Pensava em fazer medicina, mas diante da dificuldade que enfrentei com aulas de anatomia, vídeos que envolviam sangue, cirurgia...acabei desistindo e fui estudar psicologia.
Qual sua área de atuação na Prefeitura de Brusque?
Eu atuo mais especificamente no Serviço de Proteção Social a adolescentes em cumprimento de medida socioeducativa de Liberdade Assistida (LA) e de Prestação de Serviços à Comunidade (PSC), junto ao CREAS.
É uma equipe? Como é formada ?
Sim. A equipe do Serviço é composta por 01 pedagogo, 01 psicologa e 01 assistente social.
O que é o O Centro de Referência Especializado de Assistência Social - CREAS ?
O Centro de Referência Especializado de Assistência Social – CREAS constitui-se numa unidade pública estatal, de prestação de serviços especializados e continuados a indivíduos e famílias com seus direitos violados, promovendo a integração de esforços, recursos e meios para enfrentar a dispersão dos serviços e potencializar a ação para os seus usuários, envolvendo um conjunto de profissionais e processos de trabalhos que devem ofertar apoio e acompanhamento individualizado especializado.
Quais são os serviços oferecidos pelo CREAS de Brusque?
Serviços oferecidos no CREAS de Brusque: 1. Serviço de Proteção e Atendimento Especializado a Famílias Indivíduos (PAEFI); 2. Serviço de proteção social a adolescentes em cumprimento de medida socioeducativa de Liberdade Assistida (LA) e de Prestação de Serviços à Comunidade (PSC); 3 - Serviço de Proteção Social Especial para Pessoas com Deficiência, Idosas e suas Famílias; 4. Serviço Especializado para Pessoas em Situação de Rua.
O que objetiva o Serviço de Medidas Socioeducativas?
O Serviço de Medidas Socioeducativas tem por objetivo, contribuir com as relações sociais estabelecidas no contexto familiar e comunitário, através da ressignificação das suas condições e modo de vida, potencializando e estimulando o exercício da cidadania aos sujeitos em execução de medidas socioeducativas e grupo familiar. Visando contribuir para: -Vínculos familiares e comunitários fortalecidos; -Redução da reincidência da prática do ato infracional; -Redução do ciclo da violência e da prática do ato infracional.
Ressignificação?
Sim, ressignificação é o método utilizado em neurolinguística para fazer com que pessoas possam atribuir novo significado a acontecimentos através da mudança de sua visão de mundo.
A falta de estrutura física adequada e de funcionários qualificados para lidar com jovens infratores são comuns em praticamente todos os municípios brasileiros. Como está a situação em Brusque?
Desde 2005, a gestão das medidas socioeducativas em meio aberto está sendo municipalizada em cidades brasileiras de médio e grande porte. A partir da constatação da ineficácia das medidas em meio fechado - ou seja, das medidas que restringem liberdades e que representam maior custo administrativo para o Estado - o SINASE (Sistema Nacional de Atendimento Socioeducativo) priorizou a aplicação de medidas em meio aberto, com a recomendação de que privação somente deve ocorrer em caráter excepcional e durante curto período de tempo, conforme determina o Estatuto da Criança e do Adolescente. Buscava-se com isso superar uma forte cultura de internação que ainda hoje existe em nosso país. Assim, adolescentes que cometem atos infracionais agora têm mais chances de serem atendidos por programas municipais de Liberdade Assistida e Prestação de Serviços à Comunidade. Em Brusque, o serviço de Medidas Socioeducativas em meio aberto é responsabilidade do CREAS (unidade do município) desde 2009. Atualmente não contamos com a estrutura física necessária, pois precisamos de salas reservadas, material para oficinas, entre outros; mas sabemos que a nova instalação do CREAS está em construção onde teremos esta estrutura. Quanto a capacitação da equipe, os profissionais envolvidos têm participado de seminários e capacitações para desenvolver o trabalho com os usuários, o que têm qualificado a equipe para tal trabalho.
Como você vê a programação da televisão na formação de nossa juventude?
A sociedade brasileira, a mais de uma década, vem discutindo o papel da televisão e da mídia em geral e a qualidade da programação que é oferecida ao público, em particular aos jovens. É importante que os jovens e seus pais desenvolvam uma visão crítica em relação ao que estão assistindo, avaliando e refletindo juntos o que estão assistindo o que na maioria das vezes não acontece pois muitos pais nem sabem o que os filhos assistem, pois estão fora de casa. Existem alguns estudos que afirmam que muito tempo na televisão aumenta a probabilidade de desenvolver comportamentos violentos, alguns programas podem ter influência nos casos de gravidez na adolescência, entre outros. A televisão hoje é capaz de apresentar programas que se aproximam cada vez mais da "realidade", utilizando recursos de cenários e ambientes externos que propiciam, principalmente aos adolescentes, o sentimento de vivenciar o que é sugerido e é aí que muitas vezes acaba sendo inadequado o conteúdo transmitido.
Fale um pouco de sua trajetória profissional e da sua história de vida? Como surgiu Brusque em sua trajetória?
Morei com meus pais em Joinville desde aproximadamente um ano de vida até os 17 anos. Com 17 anos iniciei a faculdade de Psicologia na Univali em Itajaí e passei a residir em Piçarras. No mesmo ano, voltei a morar em Joinville com meus pais e ir e voltar para a faculdade todos os dias em Itajaí. Em 2006, com 20 anos, me casei, com quem fiquei casada por 6 anos. Em 2007 nasceu minha primeira filha e em 2011 o segundo. Formei-me em dezembro de 2008, na Univali - Itajaí. Trabalhei 1 ano no CAPS infantil em Joinville com crianças e adolescentes com transtorno mental grave e depois trabalhei 2 anos e meio em empresas de Recursos Humanos, com Recrutamento e Seleção/Treinamento e Desenvolvimento/Avaliação Psicológica. Como tinha interesse em trabalhar mais diretamente com crianças e adolescentes e com o trabalho psicossocial, fiz alguns concursos, inclusive o de Brusque em 2009. Em março de 2012 fui chamada pelo concurso para exercer a função de Psicologa e decidi assumir o cargo.
Qual foi o maior desafio até agora?
Posso citar 2, um foi dar continuidade a faculdade em Itajaí grávida e depois com a minha filha pequena e outro mudar para Brusque com meus dois filhos.
Você se arrependeu de alguma coisa que disse ou que fez ?
Em alguns momentos me arrependi, mas são as coisas que a gente se arrepende que muitas vezes valem a pena.
Você tem algum ressentimento?
Procuro não guardar ressentimentos.
Você tem algum medo?
Medo que aconteça algo com meus filhos.
Algo que você apostou e não deu certo?
Procuro pensar por quanto tempo deu certo, ou que se não deu certo é porque não chegou ao final.
O que faria se estivesse no inicio da carreira e não teve coragem de fazer?
Ainda considero inicio da carreira, estou formada ha quase 4 anos, gostaria de fazer mais cursos/especializações mas não faltou coragem e sim condições pra isso....
O que você aplica dos grandes educadores, das aprendizagens que teve, no seu dia a dia?
Procuro ouvir as pessoas sem julgá-las, entender as situações sem prevalecer uma opinião, respeitar a diversidade.....
Quais as maiores decepções e alegrias que teve?
As maiores alegrias foram com certeza o nascimento dos meus filhos. Decepções não tive muitas, procuro não criar muitas expectativas.
Finalizando, você foi bem recebida em Brusque?
Fui bem recebida sim, meus filhos se adaptaram facilmente na escola e eu conquistei meu espaço dentro do trabalho.
Referências
- Jornal Em Foco. Edição de 16.10.12.
estamos lembrando a trajetória de pessoas que fazem por merecer
ResponderExcluir